terça-feira, 3 de agosto de 2010

Filosofia Moral

Moral e Ética: Duas faces de uma mesma moeda

A confusão que acontece entre as palavras Moral e Ética existem há muito tempo. A própria etimologia destes termos gera confusão, sendo que Moral vem do latim mos, mores que significa “costumes”, ou um conjunto de normas que formam os valores de uma determinada sociedade, valores estes que determinam o comportamento humano. Já Ética vem do grego ethos que significa modo de ser ou caráter.

A ética é a morada do homem, diziam os primeiros filósofos gregos no século VI a.C. Para os eles, o ethos representava o lugar que abrigava os indivíduos-cidadãos, aqueles responsáveis pelos destinos da pólis (cidade). Nessa morada, os homens sentiam-se em segurança. Isso significa que, vivendo de acordo com as leis e os costumes, os indivíduos poderiam tornar a sociedade melhor e encontrar nela sua proteção, seu abrigo seguro.

(PEQUENO, 2000: 02)[1]

Há uma confusão no nosso dia-a-dia acerta do que é moral, e do que é ética.Mas esta confusão pode ser resolvida com o esclarecimento dos dois temas, Embora muitas vezes são tidos como sinônimos, é possível distingue um do outro porque Moral é um conjunto de normas que regulam o comportamento do homem em sociedade, e estas normas são adquiridas pela educação, pela tradição e pelo cotidiano. Durkheim explicava Moral como a “ciência dos costumes”, sendo algo que antecede a própria sociedade. A Moral tem caráter obrigatório.

Já a palavra Ética, Motta (1984) defini como um “conjunto de valores que orientam o comportamento do homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo, outrossim, o bem-estar social”, ou seja, Ética é a forma que o homem deve se comportar no seu meio social. Segundo PEQUENO:

O mundo do ethos envolve a individualidade (subjetividade) e a coletividade(intersubjetividade) dos seres humanos dotados de sentimento (pathos) e razão (logos). Nesse sentido, a prática do bem ou da justiça estaria ligada ao respeito às leis da pólis (heteronomia) e à intenção individual (autonomia) de cada sujeito.

(PEQUENO, ibidem)

A Moral sempre existiu, pois todos os homens possuem a consciência Moral que os levam a distinguir o bem do mal na conjuntura em que estão inseridos. E passaram tem esta sabedoria moral quando passaram a fazer parte de agrupamentos, isto é, as primeiras normas surgiram nas sociedades primitivas, nas primeiras tribos. No caso da Ética teria surgido com os gregos, pois esta exige um grau maior de cultura. Atribui-se a Sócrates, a sua criação. Ela investiga e explica as normas morais, pois leva o homem a agir não só por tradição, educação ou hábito, mas principalmente por convicção e inteligência. Vásquez (1998) aponta que: a Ética é teórica e reflexiva, enquanto a Moral é eminentemente prática. Isto significa que uma completa a outra, havendo um inter-relacionamento entre ambas, pois na ação humana, o conhecer e o agir são indissociáveis.

Podemos descrever a moral e a ética por tópicos da seguinte maneira revelando o caráter de cada.

- A moral se caracteriza por ser:

Prático imediato

Restrito

Histórico

Relativo

- A ética se caracteriza por ser:

Reflexão filosófica sobre a moral

Procura justificar a moral

O seu objecto é o que guia a acção

O objectivo é guiar e orientar racionalmente a vida humana

Pode-se resumir a distinção entre moral e ética da seguinte forma: a ética revela-se como reflexão (theoria), já a moral diz respeito à ação (práxis). Logo pertencem ao campo da moral a reflexão sobre questões fundamentais, como: O que devo fazer para não ser justo? Quais valores devo escolher para guiar minha vida? Há uma hierarquia de valores que deve ser seguida? Que tipo de ser humano devo ser nas minhas relações comigo mesmo, com meus semelhantes e com a natureza? Que tipo de atitude devo praticar como pessoa e como cidadão?

A Moral, afinal, não é somente um ato individual, pois as pessoas são, por natureza, seres sociais, assim percebe-se que a Moral também é um empreendimento social. E esses atos morais, quando realizados por livre participação da pessoa, são aceitos, voluntariamente. Vasquez[2] (1998) PEQUENO, assim determina a Moral:

sistema de normas, princípios e valores, segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade, de tal maneira que estas normas, dotadas de um caráter histórico e social, sejam acatadas livres e conscientemente, por uma convicção íntima, e não de uma maneira mecânica, externa ou impessoal.

(Vasquez apud PEQUENO, 2000)

Enfim, Ética e Moral são os maiores valores do homem livre. Ambos significam "respeitar e venerar a vida". O homem, com seu livre arbítrio, vai formando seu meio ambiente ou o destruindo, ou ele apóia a natureza e suas criaturas ou ele subjuga tudo que pode dominar, e assim ele mesmo se torna no bem ou no mal deste planeta. Deste modo, Ética e a Moral se formam numa mesma realidade. A ação moral exige a autonomia do agente. Por isto, segundo Immanuel Kant[3]:

O indivíduo deve estar livre para agir "não em virtude de qualquer outro motivo prático ou de qualquer vantagem futura, mas em virtude da idéia de dignidade de um ser racional que não obedece a outra lei senão àquela que ele mesmo simultaneamente se dá".

(Kant, 1785: 16)

Prof. José Cícero Gomes[4]

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[1] Pós-doutor em Filosofia pela Universidade de Montreal. Docente do Programa de Pós-Graduação em Filosofia e membro do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Universidade Federal da Paraíba.

[2] VÁSQUEZ, Adolfo Sánchez. 3ª Ética. 18. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998

[3] KANT (1724-1804), filósofo prussiano.

[4] Prof. de Filosofia e história da Escola E.E.M. João Bento da Costa.Porto velho – RO.