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BRASIL: A TERRA DE SANTA CRUZ PORTUGAL: O PORTO DE PARTIDA DE NOSSA HISTÓRIA E A RAIZ PRINCIPAL DE NOSSA CULTURA ANGOLA: UMA DAS RAIZES DE NOSSA CULTURA MOÇAMBIQUE: NOSSA VEIA MUSICAL TEM ALGO MOÇAMBICANO CONGO: NO SANGUE DE MUITOS BRASILEIROS CORRE A FORÇA DOS BANTUS SENEGAL: SUA HERANÇA É MAIS FORTE NA BAHIA NIGÉRIA: SUAS RAIZES ESTAM EM NOSSA CULINÁRIA Assim como não podemos esquecer nossa herança portuguesa também não devemos esquecer nossa herança africana. Mas, os brasileiros conhecem muito pouco da África. Ela é uma famosa desconhecida. Famosa porque está sempre sendo mencionada porém invariavelmente pouco se conhece acerca da mesma. No Brasil, dela temos pouco mais que as imagens veiculadas pelos meios de comunicação de maneira fragmentada e ligadas a aspectos exóticos ou a conflitos armados. A outra África presente no Brasil é a “Mama-África” idealizada para servir a legítimos movimentos de afirmação cultural, mas que igualmente acabam por reforçar estereótipos e preconceitos que perenizam nossa ignorância em relação ao continente e aos seus múltiplos povos e culturas. Esta não é uma situação nova. Na verdade um longo processo histórico fundado na ideologia do branqueamento racial foi levado à cabo não só para desqualificar os afrodescendentes como para apagar a África da memória dos
brasileiros. Esta na hora de nos voltarmos para a África buscando valorizar a nosso herança africana. Afinal, somos na grande maioria herdeiros de três raças: do Ameríndio, do branco lusitano e dos filhos da África.
"Tomado de respeito, levantei o olhar, pois vislumbrei, por filósofos rodeado, o mestre de todos quantos pelo saber se distinguiram. Os demais o observam e homenageiam; Platão e Sócrates entre eles eram os que mais próximos do mestre se postavam".
A gente cruza a chapada quase todos os dias, vejo com certa tristeza que a música, PARA NINAR O CARIRI, de Abidoral Jamacaru, já não fala mais de araponga, orgulhosa a cantar no culme das palmeiras.
À margem da estrada, mal cuidada, acenou p’ra nós crianças esqueléticas, e riem o riso cariado e triste. E eu me pergunto se ainda vêem a zabelê.
É noite, já voltamos. A lua enorme nos espia do alto, mas a nossa realidade é uma abóboda escura, porque, porque a floresta queima, a chapada arde em chamas, De raro, aqui, ali, mais além, um guaxinim, guará, atravessa a estrada. Não mais a onça se embrenha na mata devastada. E a lua espia insistentemente. Em um tempo distante homens rudes também atravessaram a serra e roubavam os ricos e matavam, mas não numa luta desigual, em noites de folga porém cantavam uma canção diferente:
“Lua bonita
Se tu não fosse casada
Eu preparava uma escada
Ia no céu te buscar...”
Um dia também não muito distante, o homem endeusado, pisou no solo lunar e começou a destruir a terra. Um grupor bem frágil pediu que não o fizesse. E eles neco.
_ Que não matassem as baleias, nem os jacarés ou cobras...
E eles neco.
_ Que não destruíssem a Amazônia nem a Araucária ...
E eles neco.
_ Que não se proliferassem as Etiópias nem os Moçambiques...
E eles neco.
E foi por aí que o homem na sua macha destruidora, ia saqueando e matando tudo.
E nós, marionetes, coscientes ou inconscientes, retrocedemos no tempo, e buscamos o mamulengo, paixão maior, principalmente, para quem não teve nem chocolates, nem sorvetes e nem Carlitos. Horrorizados de nós mesmos, navegamos num barco furado, na busca de um futuro incerto enquanto no peito brota uma verde esperança como verde já fora o Vale do Cariri.
Comentário de um amigo nostálgico:
Por onde anda o Severiano Gomes,
este poeta preocupado com social.
Num momento em que ainda não era moda fala de ecologia já escrevia sobre o tema. Meu amigo Severiano onde andas?
De há muito
Que a vegetação da serra arde...
Nos fornos das padarias do Crato e do Juazeiro
Ou vira carvão em carvoarias.
De há muito
Que não se sabe o que seja buriti
A não ser um bairro da periferia do Crato
Onde ontem, não muito distante...
Ouvia-se o canto da araponga orgulhosa
No cume desta palmeira de nome buriti
Freud continua indispensável para compreender a gênese da civilização humana
Freud - aquele que resolveu o famoso enigma e foi um homem de enorme poder
Fernando Aguiar*
Fora do círculo familiar, os 50 anos de Freud foram festejados apenas pelo pequeno grupo de psicanalistas vienenses que se reuniam em sua casa todas as quartas-feiras desde o outono de 1902. A ocasião era propícia a comemorações: não sendo mais o único analista, sua psicanálise já ultrapassara os limites de Viena – a conquista dos “arianos” de Zurique neutralizara a vil acusação de “ciência judia”. Vivia-se a fase áurea da clínica psicanalítica e, em termos de publicações de fôlego, jamais haveria para Freud ano igual ao anterior (1905). Além do livro sobre os chistes e do “Caso Dora”, houve os Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, com o qual ele adicionara ao discurso do desejo (1900) o discurso da pulsão, definindo categoricamente os dois eixos centrais de sua investigação metapsicológica.
Como presente de aniversário, os alunos ofereceram-lhe um medalhão, realizado pelo escultor K. M. Schwerdtner. Sobre uma face, fora gravado o perfil de Freud, e sobre a outra, a cena de Édipo em frente à Esfinge. Em volta do desenho, um verso de Édipo Rei: “Aquele que resolveu o famoso enigma e que foi um homem de enorme poder”. Lendo a inscrição, Freud teria empalidecido: “Parecia ter visto um fantasma”, escreveu E. Jones. Depois de P. Federn admitir ser o autor da escolha da citação, Freud, agitado, contou que, quando jovem estudante de medicina na Universidade de Viena, costumava olhar os bustos dos antigos professores, imaginando que um dia poderia estar entre eles: o seu traria exatamente a mesma citação de Sófocles inscrita no medalhão com o qual acabava de ser honrado.
A posição de marginalidade e ruptura da psicanálise
Desse episódio, apenas a segunda parte do sonho diurno de Freud materializou-se: afinal, como o Édipo da mitologia, ele decifrou, no plano da cultura, o próprio enigma edipiano, adentrando os mistérios da sexualidade humana. Quanto a figurar entre pares, nem seria o caso, pois de fato jamais fora médico; foi um psicanalista e um magnífico professor. Mas, na Universidade de Viena, seu estatuto não passou de um professor extraordinarius, que, no regime acadêmico da época, designava quem se encarregava de cursos que não constavam do currículo oficial obrigatório.
Esse caráter marginal permanece também o destino da psicanálise, e mesmo seu grande trunfo ou talvez condição de sobrevivência. Na academia, em particular, a psicanálise não deve estar no centro de uma formação, mas exterior aos outros domínios. O próprio Freud assumia uma incompatibilidade com toda sorte de “existência oficial” e demandava “independência em todas as direções”. O professor francês Jean Laplanche afirma que o analista [e a psicanálise] nasce e desenvolve-se apenas na marginalidade e na ruptura, e não pode garantir-se senão preservando todo um jogo de extraterritorialidades, em todos os níveis: marginalidade do tratamento em relação às instâncias da vida cotidiana, da análise pessoal em relação aos requisitos das sociedades de analistas, do exercício da análise em relação às profissões reconhecidas (médico ou psicólogo), das instituições analíticas em relação às instituições e aos reconhecimentos oficiais etc. “Como analistas, como pesquisadores e como universitários, afirmamos (…) que a experiência analítica constitui um campo epistemológico específico e autônomo”. A contrapartida é que ela não seja propriedade privada de um indivíduo ou de uma instituição.
É que ao fim e ao cabo, como teoria do inconsciente, a psicanálise acabaria por se tornar indispensável para todas as ciências que se ocupam da gênese da civilização humana e de suas grandes instituições como a arte, a religião ou a ordem social. “Creio ter introduzido alguma coisa que ocupará constantemente os homens”, escreveu Freud a Binswanger, em 1911.
Não há qualquer anseio imperialista na pretensão freudiana. Se a disciplina por ele fundada deve interessar à psicologia, às ciências da linguagem, à filosofia, à biologia, à história da civilização, à estética, à sociologia e à pedagogia, isso não faz mais do que prolongar o movimento mesmo de seu próprio pensamento, “interessado” em todas essas disciplinas, conforme nos explica S. Mijolla-Mellor (Recherches en Psychanalise, 2004). Desse ponto de vista, antes de interessar a outros campos do saber ou da cultura, é a própria psicanálise que tem interesse nesses campos, sendo eles parte constitutiva dela própria. Quanto ao interesse das outras disciplinas pela psicanálise, é certo que tal movimento não elimina o fato da resistência – e esta diz respeito à vexação psicológica dos homens diante de seus desejos inconscientes tais como apontados pela invenção freudiana. Na fundação da Associação Psicanalítica Internacional, em 1910, Freud anunciou aos colegas: “Os indivíduos aos quais fazemos descobrir o que recalcam experimentam hostilidade a nosso respeito; não podemos esperar uma amabilidade simpática da sociedade para com aqueles que desvelam impiedosamente seus defeitos e insuficiências”. Em carta a Arthur Schnitzler, ainda escreveria que a psicanálise não é “um meio de se fazer amar”.
Devemos esperar, por isso, de tempos em tempos, vilanias tais como a infame e medíocre compilação de críticas publicada na França, em 2005, com o nome de O Livro Negro da Psicanálise, no qual Freud é tratado como falsário, trapaceiro e mentiroso (tal como faz agora, em 2010, Michel Onfray em O Crepúsculo de um Ídolo: a Fabulação Freudiana). Costuma-se aproveitar essas ocasiões para mais uma vez se falar em “crise da psicanálise”, o que Jacques Lacan (1901-1981), já em 1974, refuta com vigor, em termos definitivos: “A crise (…) não existe (…).” A psicanálise ainda não encontrou seus próprios limites. Há muito que descobrir na prática e no conhecimento. Em psicanálise não há solução imediata, mas apenas a longa e paciente busca das razões”. Além disso, há Freud, arremata Lacan, “que ainda não compreendemos inteiramente”.
História da data (14 de fevereiro) - Origem do Dia de São Valentim A comemoração desta data remonta o Império Romano. Um bispo da Igreja Católica, São Valentim, foi proibido de realizar casamentos pelo imperador romano Claudius II. Porém, o bispo desrespeitou a ordem imperial e continuou com as celebrações de matrimônio, porém de forma secreta. Foi preso pelos soldados e condenado à morte. Enquanto estava na prisão, recebeu vários bilhetes e cartões, de jovens apaixonados, valorizando o amor, a paixão e o casamento. O bispo Valentim foi decapitado em 14 de fevereiro do ano 270.
Em sua homenagem, esta data passou a ser destinada aos casais de namorados e ao amor. A comemoração passou a ser realizada todo 14 de fevereiro, principalmente, na Europa e, posteriormente (século XVII), nos Estados Unidos.
História do Dia dos Namorados no Brasil (12 de junho) No Brasil, a data apresenta uma história bem diferente, pois está relacionada ao frei português Fernando de Bulhões (Santo Antônio). Em suas pregações religiosas, o frei sempre destacava a importância do amor e do casamento. Em função de suas mensagens, depois de ser canonizado, ganhou a fama de “santo casamenteiro”.
Portanto, em nosso país foi escolhida a data de 12 de junho por ser véspera do dia de Santo Antônio (13 de junho). Assim como em diversos países do mundo, aqui também é tradição a troca de presentes e cartões entre os casais de namorados.
Graças ao sentido histórico com o qual pensavam nos acontecimentos da vida, os maias tiveram uma preocupação intensa em medir a passagem do tempo. Eles contavam com registros minuciosos dos grandes acontecimentos políticos e sagrados, as vitórias militares decisivas, a fundação das cidades, a coroação dos príncipes, e o surgimento de novas dinastias.
A partir da observação dos astros, eles elaboraram um calendário complexo e preciso. Os maias também conservaram a memória dos fatos significativos erguendo esteiras, monólitos ou placas cravadas em pedra, que permitem o conhecimento de sua história através de datas absolutamente exatas que contam com inscrições, além da informação mostrada pelas imagens gravadas na superfície de tais esteiras. Apesar disso, a tarefa dos cientistas se complica devido à concepção circular de tempo dos maias.
A esteira mais antiga foi encontrada em Tikal, e pertence ao ano 292 d.C. Conforme as tradições maias, ela marca o início do Período Clássico. A esteira mais recente já descoberta corresponde ao ano 889, e foi descoberta em Uaxactun. Ambas as cidades se encontram muito próximas, no atual território da Guatemala.
Graças à exatidão do calendário, o mais perfeito entre os povos mesoamericanos, os maias eram capazes de organizar suas atividades cotidianas e registrar simultaneamente a passagem do tempo, historiando os acontecimentos políticos e religiosos que consideravam cruciais.
Entre os maias, um dia qualquer pertence a uma quantidade maior de ciclos do que no calendário ocidental. O ano astronômico de 365 dias, denominado Haab, era acrescentado ao ano sagrado de 260 dias chamado Tzolkin. Este último regia a vida da “gente inferior”, as cerimônias religiosas e a organização das tarefas agrícolas.
O ano Haab, e o ano Tzolkin formavam ciclos, ao estilo de nossas décadas ou séculos, mas contados de vinte em vinte, ou integrados por cinqüenta e dois anos.
Eles estabeleceram um “dia zero”, que segundo os cientistas corresponde a 12 de agosto de 3113 a.C. Não se sabe o que aconteceu, mas provavelmente esta se trata de uma data mítica.
A partir deste dia os ciclos se repetiam. Entretanto, a repetição dominava a linearidade. Podiam acontecer coisas diferentes nas datas anteriores de cada período de vinte ou cinqüenta e dois anos, mas cada seqüência era exatamente igual à outra, passada ou futura.
Assim diz o Livro de Chilam Balam: “Treze vezes vinte anos, e depois sempre voltará a começar”. A repetição cria problemas para traduzir as datas maias ao nosso calendário, já que fica muito difícil identificar fatos parecidos de seqüências diferentes. A invasão tolteca do século X se confunde nas crônicas maias com a invasão espanhola que ocorreu 500 anos depois.
Por isso, os livros sagrados dos maias eram simultaneamente textos de história e de predição do futuro. Na perspectiva maia, passado, presente e futuro estão em uma mesma dimensão.
Por outro lado, os historiadores contemporâneos recorrem às profecias maias para conhecer episódios do passado desta sociedade, com a profecia se expressando como uma forma de memória.
1- O CALENDÁRIO ASTECA
1.1- FUNDAMENTOS
Os Astecas, como outros povos da antiguidade, conheciam com precisão os fenômenos astronômicos, principalmente relativos ao Sol e a Lua.
Um dos monumentos documentais mais espetaculares da sua civilização foi sem dúvida a Pedra do Sol, encontrada em 1790 na cidade do México, por ocasião das escavações executadas, afim de se reforçar os alicerces da Catedral da Cidade.
Um enorme bloco de pedra vulcânica, medindo mais de 5 metros de diâmetro por 1 metro de espessura, pesando aproximadamente 25 toneladas, onde no centro está representado o Sol com seus movimentos.
Os raios do Sol com as oito divisões do dia e as oito da noite, são supostamente representados na roda, pelos triângulos; completando um total de 20 quadros, especificando os signos do dia e pontos específicos, oriundos das combinações que contam os anos.
Quanto a estrutura sistêmica do calendário, os indícios levam a crer que os astecas inspiraram-se nos sistemas maias.
Outrossim, em várias fontes, constam comentários de que a operacionalidade do sistema, deixaria a desejar comparado com os maias. Confessamos que tal posicionamento sempre intrigou-nos; normalmente, e até pela lógica, os eventos subseqüentes tendem a suplantar os antecedentes.
Mesmo intrigados, contrariando o nosso modo de ser, aceitamos de uma forma até passiva tais afirmações.
Porém, ao passar para a fase de análise propriamente dita, tabulando as informações que tínhamos a nossa disposição, as mesmas pareciam refletir uma tendência oposta, até fazer com que chegássemos a uma descoberta gratificante, pelo menos para nós:
POR INCRÍVEL QUE PUDESSE PARECER, O CALENDÁRIO ASTECA ERA OPERACIONALMENTE, NO MÍNIMO, OITO VEZES SUPERIOR AO DOS MAIAS
Agora sim a lógica parecia prevalecer; os alunos astecas, pelo menos nos calendários, provavelmente a custa de grandes esforços, suplantaram os seus mestres.
Esse parecer fundamentou-se nos seguintes parâmetros:
1.2- SISTEMA OPERACIONAL
1.2.1- CALENDÁRIO RELIGIOSO DE 260 DIAS- TONOMATL
O calendário religioso dos astecas, na sua estrutura, era praticamente idêntico aos dos maias; os dias voltavam a repetir-se a cada 260 dias.
Um período de 13 anos, 3.380 dias, formava um Tlalpili; cada 4 Tlalpili, 13.520 dias, constituia-se em um período de 52 anos, ou, um Xiuhmolpili.
Por sua vez, 2 períodos de 52 anos (Xiuhmolpili), ou 104 anos, formava um Cohuehuetiliztle.
1.2.2- CALENDÁRIO ASTECA SOLAR DE 365 DIAS- TONALPOHUALLI
ASPECTOS GERAIS
O calendário em epígrafe compunha-se de 18 meses de 20 dias cada, mais um 19 mês mais curto de 5 dias, considerado pelos astecas como dias vazios. Quanto aos dias, ao invés dos maias que iniciavam o mês do Zero, os contavam a partir de 1 até 20.
A cada ciclo de 104 anos acrescentavam 25 dias, o que tornava o calendário de uma precisão incrível para a época, senão vejamos:
365 dias X 104 anos + 25 dias = 37.985 dias
37.985/104= 365,240384615
Considerando-se que a revolução trópica para o ano de 1995 foi de 365,242192957, temos uma diferença de 0,001808342 dias, ou
2 minutos e 36,241 segundos aproximadamente, em 104 anos
O período de 104 anos do sistema de calendário asteca também mantinha uma relação com 65 revoluções sinódicas do planeta Venus:
365 dias X 104 anos = 37.960 dias
Revolução sinódica de Venus= 584 dias X 65 = 37.960 dias
Convém salientarmos que também nos hieróglifos maias, mantinha-se uma interessante correlação do planeta Vênus com o calendário Haab:
8 ciclos do calendário Haab = 2.920 dias
(8 X 365)
5 revoluções médias de Vênus = 2.920 dias
(5 X 584 dias)
O CICLO DO CALENDÁRIO
Como já afirmamos, ficamos surpresos ao constatar, pelos nossos cálculos, que o ciclo do calendário asteca era de 416 anos, possibilitando uma rotatividade sistêmica8 vezes maior do que a dos maias, ou seja, um dia só repetir-se-ia a cada 151.940 dias, com uma notação ainda mais prática.
Na nossa modesta opinião, o Ciclo Asteca se é que podemos chamá-lo assim, é de uma beleza harmônica, uma verdadeira obra prima sistêmica, que dificilmente será suplantado por outro calendário.
O ciclo maior compunha-se de 4 períodos de 104 anos, com 37.985 dias cada; na seqüência dos 20 dias do calendário, começando do dia 1, intercalavam-se a cada 5 dias, um que era por assim dizer, cabeça de chave.
1 Acatl O Sol
6 Tecpatl Vênus
11 Calli A Lua
16 Tochtli A Terra
No primeiro dia de cada grupo de 104 anos, ou 37.985 dias, revezando-se sistematicamente, tínhamos um desses cabeças de chaves; tal disposição rotativa, fazia com que o dia 1 Acatl fosse novamente o primeiro do ano somente após decorrido exatamente 151.940 dias.
Resumindo, tínhamos a seguinte escala:
104 anos iniciando com: 1 Acatl (O Sol) + 37.984 dias subseqüentes
104 anos iniciando com: 6 Tecpatl (Venus) + 37.984 dias subseqüentes
104 anos iniciando com: 11 Calli (A Lua) + 37.984 dias subseqüentes
104 anos iniciando com: 16 Tochtli (A Terra) + 37.984 dias subseqüentes
416 anos 4 primeiros dias acima 4 dias
Total
151.940 dias
No ciclo de 151.940 dias, cada um dos 20 dias que deslizavam pelos meses do calendário asteca, tinham a oportunidade de repetirem-se exatamente 7.597 vezes.
Considerando-se as inclusões de 25 dias a cada 104 meses como um mês, tinham 3 tipos de meses; meses com 20, 5 e 25 dias. No ciclo, o quadro sinótico da quantidade de meses era:
Meses com 20 dias 416 X 18 X 20 =149.760 dias
Meses com 5 dias 416 X 5 = 2.080 dias
Meses com 25 (*) dias 4 = 100 dias
Total 151.940 dias
(*) Por desconhecermos o nome do mês dessa inclusão de 25 dias, o apelidaremos de Mês Largo, contrastando com o Mês Curto de 5 dias.
A MARCAÇÃO DOS DIAS
A marcação dos dias pelos astecas diferia das dos maias. Citavam em primeiro lugar, o ano corrente(do ciclo), o nome do dia e, por último, o nome do mês.
Exemplo:-
1 Acatl Tlaxochimaco (primeiro dia do ciclo)
1 Ocelotl Tlaxochimaco (segundo dia do ciclo)
2 Ehecatl Tititl
(170 dia do nono mês do segundo ano do ciclo)
416 Ozomatli Mês largo (penúltimo dia do ciclo)
416 Malinalli Mês largo (último dia do ciclo)
INÍCIO DO CICLO ASTECA
Desconhecemos, como existe para os maias, quaisquer correlações para um chamado Marco Zero do calendário asteca.
CALENDÁRIO SOLAR PERMANENTE
Como fizemos com o calendário dos maias, preparamos algumas planilhas, das quais, sem muito esforço, poderemos extrair informações úteis e principalmente classificar qualquer dia do ciclo asteca. Infelizmente, por não termos o marco zero do calendário e, por não podermos correlacioná-lo com o período juliano, fica prejudicada qualquer busca partindo-se de datas do calendário juliano ou gregoriano.
Todos os calendários se baseiam nos movimentos aparentes dos dois astros mais brilhantes da abóbada celeste, na perspectiva de quem se encontra na Terra - o Sol e a Lua - para determinar as unidades de tempo: dia, mês e ano.
O dia, cuja noção nasceu do contraste entre a luz solar e a escuridão da noite, é o elemento mais antigo e fundamental do calendário. A observação da periodicidade das fases lunares gerou a idéia de mês. E a repetição alternada das estações, que variavam de duas a seis, de acordo com os climas, deu origem ao conceito de ano, estabelecido em função das necessidades da agricultura.
O ano é o período de tempo necessário para que a Terra faça um giro ao redor do Sol - cerca de 365 dias e seis horas. Esse número fracionário exige que se intercale dias periodicamente, a fim de fazer com que os calendários coincidam com as estações. No calendário gregoriano, usado na maior parte do mundo, um ano comum compreende 365 dias, mas a cada quatro anos há um ano de 366 dias - o chamado ano bissexto, em que o mês de fevereiro passa a ter 29 dias. São bissextos os anos cujo milésimo é divisível por quatro, com exceção dos anos de fim de século cujo milésimo não seja divisível por 400. Assim, por exemplo, o ano de 1.900 não é bissexto, ao contrário do ano 2.000.
Em astronomia, distinguem-se várias espécies de ano, com pequenas diferenças de duração. O ano trópico, também chamado de ano solar ou ano das estações, tem 365 dias, cinco horas, 48 minutos e 46 segundos. Compreende o tempo decorrido entre duas ocorrências sucessivas do equinócio vernal, ou seja, do momento em que o Sol aparentemente cruza o equador celeste na direção norte. Em virtude do fenômeno de precessão dos equinócios - causado por uma pequena oscilação na rotação terrestre - o ano trópico é mais curto que o ano sideral, que tem 365 dias, seis horas, nove minutos e dez segundos, tempo que o Sol leva para voltar ao mesmo ponto, em sua aparente trajetória anual. O ano anomalístico compreende o período de 365 dias, seis horas, 13 minutos e 53 segundos, entre duas passagens da Terra pelo periélio, ponto de sua órbita em que está mais próxima do Sol.
Dada a facilidade de observação das fases lunares, e devido aos cultos religiosos que freqüentemente se associaram a elas, muitas sociedades estruturaram seus calendários de acordo com os movimentos da Lua. O ano lunar, de 12 meses sinódicos, correspondentes aos 12 ciclos da fase lunar, tem cerca de 364 dias. Conforme a escala de tempo seja baseada nos movimentos do Sol, da Lua, ou de ambos, o calendário será respectivamente solar, lunar ou lunissolar.
No calendário gregoriano os anos começam a ser contados a partir do nascimento de Jesus Cristo, em função da data calculada, no ano 525 da era cristã, pelo historiador Dionísio o Pequeno. Todavia, seus cálculos não estavam corretos, pois é mais provável que Jesus Cristo tenha nascido quatro ou cinco anos antes, no ano 749 da fundação de Roma, e não no 753, como sugeriu Dionísio. Para a moderna historiografia, o fundador do cristianismo teria na verdade nascido no ano 4 a.C.
Classificação dos Calendários
Calendário
Sideral
Calendário
Lunar
Calendário
Solar
Calendário
Lunisolar
Dia e Noite
Classificação dos calendários Em sentido amplo, todo calendário é astronômico, variando apenas seu grau de exatidão matemática. Classificam-se eles em siderais, lunares, solares e lunissolares.
Calendário sideral:
Baseia-se o calendário sideral no retorno periódico de uma estrela ou constelação a determinada posição na configuração celeste. Para o estabelecimento do calendário sideral, há milênios, utilizou-se a observação do nascer ou do ocaso helíaco (ou cósmico) de uma estrela. Além do nascer ou do ocaso real de uma estrela, respectivamente, pelo horizonte leste ou oeste, chama-se nascer ou ocaso helíaco (ou cósmico) a passagem de um astro pelo horizonte oriental ou ocidental no momento do nascer ou do pôr-do-sol, respectivamente. Quando o astro nasce no momento do pôr-do-sol, ou se põe no momento em que o Sol nasce, diz-se que há nascer ou ocaso acrônicos. Nascer helíaco, portanto, é a primeira aparição anual de uma estrela sobre o horizonte oriental, quando surgem os primeiros raios de sol. Para evitar atraso no registro da data do nascer helíaco, os sacerdotes egípcios, que determinavam as estações em função desse fenômeno, eram obrigados a vigílias rigorosas. Algumas tribos do Brasil e da América do Sul serviam-se do nascer helíaco das Plêiades para indicar o início do ano. O primeiro calendário assírio se baseava no nascer helíaco da constelação de Canis Majoris (Cão Maior), cuja estrela principal, Sirius, tinha importante papel em sua mitologia.
Calendário lunar:
A base do calendário lunar é o movimento da Lua em torno da Terra, isto é, o mês lunar sinódico, que é o intervalo de tempo entre duas conjunções da Lua e do Sol. Como a sua duração é de 29 dias 12 horas 44 minutos e 2,8 segundos, o ano lunar (cuja denominação é imprópria) de 12 meses abrangerá 254 dias 8 horas 48 minutos e 36 segundos. Os anos lunares têm que ser regulados periodicamente, para que o início do ano corresponda sempre a uma lua nova. Como uma revolução sinódica da Lua não é igual a um número inteiro de dias, e os meses devem também começar com uma lua nova, esse momento inicial não se dá sempre numa mesma hora. Por sua vez, na antiguidade, e mesmo depois, houve freqüentes erros de observação desse início.
Para que os meses compreendessem números inteiros de dias, convencionou-se, desde cedo, o emprego de meses alternados de 29 e 30 dias. Mas como o mês lunar médio resultante é de 29 dias e 12 horas, isto é mais curto 44 minutos e 2,8 segundos do que o sinódico, adicionou-se, a partir de certo tempo, um dia a cada trinta meses, com a finalidade de evitar uma derivação das fases lunares. Por outro lado, como o ano lunar era de 354 dias, observou-se que havia uma defasagem rápida entre o início do mesmo e o das estações. Procurou-se eliminar essa diferença, intercalando-se periodicamente um mês complementar, o que originou os anos lunissolares.
O calendário lunar surgiu entre os povos de vida essencialmente nômade ou pastoril, e os babilônicos foram os primeiros, na antiguidade, a utilizá-lo. Os hebreus, gregos e romanos também dele se serviram. O calendário muçulmano é o único puramente lunar ainda em uso. Com Júlio César, Roma adotou um calendário solar que predominou entre as populações agrícolas.
Calendário solar:
Os egípcios foram o primeiro povo a usar o calendário solar, embora os seus 12 meses, de trinta dias, fossem de origem lunar. O calendário instituído em Roma, por Júlio César, reformado mais tarde pelo papa Gregório XIII e atualmente adotado por quase todos os povos, é do tipo solar, e suas origens remontam ao Egito.
O calendário solar segue unicamente o curso aparente do Sol, fazendo coincidir, com maior ou menor precisão, o ano solar com o civil, de forma que as estações recaiam todos os anos nas mesmas datas.
Calendário lunissolar:
Baseia-se o calendário lunissolar no mês lunar, mas procura fazer concordar o ano lunar com o solar, por meio da intercalação periódica de um mês a mais. O mês é determinado em função da revolução sinódica da Lua, fazendo começar o ano com o início da lunação. Para que a entrada das estações se efetue em datas fixas, acrescenta-se um mês suplementar, no fim de certo número de anos, que formam um ciclo. Os babilônicos, chineses, assírios, gregos e hindus utilizaram calendários lunissolares. Atualmente, os judeus - que adotaram o calendário babilônico na época do exílio - e os cristãos se valem desse sistema para determinar a data da Páscoa.
Dia e noite:
Nos calendários lunares e lunissolares o dia tem sempre início com o pôr-do-sol, como ocorre ainda hoje, no calendário judeu e muçulmano. No calendário solar, o dia começa com a saída do Sol, como no antigo Egito. Na Mesopotâmia o dia, para as observações astronômicas, começava à meia-noite, embora o calendário usual partisse do anoitecer. Os chineses e romanos adotaram também a meia-noite para o início do dia, uso que é seguido pelo calendário gregoriano.
Os Calendários
Religiosos
Calendário
Maia
Calendário
Muçulmano
Calendário
Revolucionário
Francês
Calendário maia:
O calendário mais bem elaborado das antigas civilizações pré-colombianas foi o maia, e do qual deriva o calendário asteca. Tanto um como o outro tinham um calendário religioso de 260 dias, com 13 meses de vinte dias; e um calendário solar de 365 dias, constituído por 18 meses de vinte dias e mais cinco dias epagômenos, isto é, que não pertencem a nenhum mês e são acrescentados ao calendário para complementar o ano. Esses cinco dias eram considerados de mau agouro, ou nefastos. Um ciclo de 52 anos solares harmonizava os dois calendários, o religioso e o solar. A cada dois ciclos - 104 anos - iniciava-se um ano venusino, de 584 dias, um ano solar, de 365 dias, um novo ciclo de 52 anos solares e um ano sagrado, de 260 dias. Esse acontecimento era comemorado com grandes festas religiosas.
Calendário hebraico:
Os judeus não adotaram o calendário juliano, em grande parte para que sua Páscoa não coincidisse com a cristã. O ano israelita civil tem 353, 354 ou 355 dias; seus 12 meses são de 29 ou trinta dias. O ano intercalado tem 383, 384 ou 385 dias.
O calendário hebraico introduziu pela primeira vez a semana de sete dias, divisão que seria adotada em calendários posteriores. É possível que sua origem esteja associada ao caráter sagrado do número sete, como ocorre nas sociedades tradicionais, ou que se relacione com a sucessão das fases da lua, já que a semana corresponde aproximadamente à quarta parte do mês lunar.
O calendário hebraico começa a contar o tempo histórico a partir do que os judeus consideram o dia da criação. No calendário gregoriano, tal data corresponde a 7 de outubro de 3761 a.C.
Calendário muçulmano:
A civilização islâmica adotou o calendário lunar. Neste calendário o ano se divide em 12 meses de 29 ou trinta dias, de forma que o ano tem 354 dias. Como o mês sinódico não tem exatamente 29,5 dias, mas 29,5306 dias, é necessário fazer algumas correções para adaptar o ano ao ciclo lunar.
Trinta anos lunares têm aproximadamente 10.631,016 dias. Com anos de 354 dias, trinta anos totalizariam 10.620 dias, e por isso é preciso acrescentar 11 dias a cada trinta anos.
A origem do calendário muçulmano se fixa na Hégira, que comemora a fuga de Maomé, da cidade de Meca para Medina, que coincide com o dia 16 de julho de 622 da era cristã, no calendário gregoriano.
Calendário revolucionário francês:
Um caso muito singular é o do calendário republicano, instituído pela revolução francesa em 1793, e que tinha como data inicial o dia 22 de novembro de 1792, data em que foi instaurada a república. Pretendia substituir o calendário gregoriano e tornar-se universal.
O ano passaria a ter 12 meses de trinta dias, distribuídos em três décadas cada mês. Estas eram numeradas de um a três, e os dias de um a dez, na respectiva década, recebendo nomes de primidi, duodi, tridi, quartidi, quintidi, sextidi, septidi, octidi, nonidi, décadi. Deram-se, depois, às décadas, nomes tirados de plantas, animais e objetos de agricultura.
Dividiu-se o dia em dez horas de cem minutos, e estes com cem segundos de duração. As denominações dos meses inspiraram-se nos sucessivos aspectos das estações do ano na França. Aos 360 dias acrescentavam-se cinco complementares, anualmente e, um sexto a cada quatriênio.
O ano desse calendário revolucionário começou à meia-noite do equinócio verdadeiro do outono, segundo o meridiano de Paris. A eliminação das festas religiosas católicas, dos nomes de santos e, sobretudo, do domingo, insuficientemente compensado pelo décadi, indispôs a população. Teve curta duração e a 1º de janeiro de 1806 (com pouco mais de 13 anos), já no primeiro império napoleônico, foi restabelecido o uso do calendário gregoriano.
Os Calendários
Juliano e
Gregoriano
A Demora na
Adoção do
Calendário
Gregoriano
Os Dias da
Semana
Calendários juliano e gregoriano:
As origens do calendário juliano remontam ao antigo Egito. Foi estabelecido em Roma por Júlio César no ano 46 a.C. (708 da fundação de Roma). Adotou-se um ano solar de 365 dias, dividido em 12 meses de 29, 30 ou 31 dias. A diferença do calendário egípcio está no fato de se introduzirem os anos bissextos de 366 dias a cada quatro anos, de forma que o ano médio era de 365,25 dias. O esquema dos meses foi reformulado posteriormente para que o mês de agosto, assim nomeado em honra ao imperador Augusto, tivesse o mesmo número de dias que o mês de julho, cujo nome é uma homenagem a Julio César.
Como o ano trópico é de 365,2422 dias, com o passar dos anos se registra um adiantamento na data do equinócio da primavera. Caso fosse mantido o calendário juliano, haveria um adiantamento de seis meses no início das estações, num período de 20.200 anos. Para evitar o problema, o Concílio de Trento, reunido em 1563, recomendou ao papa a correção do inconveniente, que alteraria a data da Páscoa, em virtude dos ciclos de concordância das lunações com o ano solar.
Eis os motivos porque os meses têm diferentes números de dias: Quando os Romanos, no tempo de Júlio César, inventaram o calendário juliano, decidiram que teriam 31 dias os meses com especial significado religioso e 30 os de menor importância. Desta forma Janeiro, assim chamado em honra ao deus Jano, Março, de Marte, e Julho, em honra do próprio César, encontram-se entre os meses com 31 dias. Augusto, sucessor de César, denominou-se Agosto a partir de seu nome e, naturalmente, atribuiu-lhe 31 dias. Os meses julianos de Setembro ( 7º mês ) e Outubro ( 8ºmês ) tornaram-se, respectivamente 9º e 10º meses quando, em 1582, o papa Gregório alterou o Ano Novo da data juliana de 25 de Março para 1º de Janeiro.
Finalmente, em 1582, o papa Gregório XIII, aconselhado por astrônomos, em particular por Luigi Lílio, obteve o acordo dos principais soberanos católicos e, através da bula Inter gravissimas, de 24 de fevereiro, decretou a reforma do calendário, que passou, em sua homenagem, a chamar-se gregoriano, e é o mais perfeito utilizado até hoje.
Mesmo assim, apresenta algumas deficiências. Uma delas é a diferença com o ano trópico, que aliás não é importante para efeitos práticos. Mais relevante é a diferença na duração dos meses (28, 29, 30 ou 31 dias) e o fato de que a semana, que é utilizada quase universalmente como unidade de tempo de trabalho, não esteja integrada nos meses, de tal forma que o número de dias trabalhados durante um mês pode variar entre 24 e 27.
Além disso, nos países cristãos, a data em que se comemora a Páscoa é determinada por critério lunissolar, que pode acarretar variação de dias e conseqüentemente alterar atividades educacionais, comerciais, de turismo etc. Outro inconveniente é o de não existir um ano zero, o que obriga uma operação matemática estranha, para calcular a diferença em anos de um fato ocorrido antes do nascimento de Cristo, em comparação com outro, ocorrido na era cristã. Existem várias propostas para solucionar essas questões, nenhuma delas ainda adotada.
Apesar de representar um avanço, o calendário gregoriano demorou para ser aceito, principalmente em países não-católicos, por motivos sobretudo político-religiosos. Nas nações protestantes da Alemanha, foi adotado no decorrer dos séculos XVII (em poucos casos, antes de 1700) e XVIII (Prússia, 1775); na Dinamarca (incluindo então a Noruega), em 1700; na Suécia (com inclusão da Finlândia), em 1753. Nos cantões protestantes da Suíça, no princípio do século XVIII. Na Inglaterra e suas colônias, entre as quais os futuros Estados Unidos, em 1752. Nos países ortodoxos balcânicos, depois de 1914 (Bulgária, 1916, Romênia e Iugoslávia, 1919; Grécia, 1924). Na União Soviética, em 1918. Na Turquia, em 1927. No Egito, já havia sido adotado para efeitos civis desde 1873, mesma data em que foi aceito no Japão. Na China foi aceito em 1912, para vigorar simultaneamente com o calendário tradicional chinês, até 1928. No Brasil, então colônia de Portugal, que na época estava sob domínio da Espanha, o calendário gregoriano entrou em uso em 1582.
Os dias da semana:
No Império Romano, a astrologia acabou introduzindo, no uso popular, a semana de sete dias (septimana, isto é, sete manhãs, de origem babilônica). Os nomes orientais foram substituídos pelos latinos, do Sol, da Lua e de deuses equiparados aos babilônicos. Por influência romana, os povos germânicos adotaram a semana, substituindo, por sua vez, os nomes das divindades latinas por aqueles das suas, com que mais se assemelhavam, exceção feita de Saturno, cujo nome se limitaram a adaptar.
Com o cristianismo, o nome do dia do Sol passou de Solis dies a Dominica (dia do Senhor, Dominus) e o Saturni dies (dia de Saturno) foi substituído por Sabbatum, dia do descanso (santificado). As línguas romanas, com exceção do português, conservaram as formas derivadas dos antigos nomes latinos, com essas alterações.
O português adotou integralmente a nomenclatura hebdomadária do latim litúrgico cristão, que designou os dias compreendidos entre o domingo e o sábado por sua sucessão ordinal depois do primeiro dia da semana.
No grego moderno prevaleceu prática semelhante. Em várias línguas germânicas, a cristinianização dos respectivos povos acarretou a substituição do dia de Saturno pelo de véspera do domingo (Sonnabend ou Samstag, alemão) ou, ainda, dia do Senhor (Lördag, sueco).
O domingo conservou o nome de dia do Sol. Em algumas línguas germânicas, o antigo dia de Odin tornou-se o de meio da semana (Mittwoch, alemão), que corresponde à quarta-feira.
Os similares germânicos de Marte, Mercúrio, Jove (Júpiter) e Vênus eram, respectivamente, Ziu ou Tiwaz ou Tyr; Wodan ou Odin; Thor ou Donar; Frija ou Frigg ou Freya.
O Calendário Universal
No ano de 1870 do antigo calendário gregoriano, com o fim da Guerra Mundial, a democracia foi restaurada na Europa, que junto com o Império Sino-japonês uniu-se à Comunidade das Nações, que assim se tornou verdadeiramente global. Além de se planejar a construção de uma nova capital na África, Cosmópolis (inaugurada dez anos depois), foi emitida uma moeda internacional e também foi introduzido um novo calendário universal.
Na época, muitos calendários diferentes marcavam a passagem do tempo no mundo. O Calendário Gregoriano era utilizado na Europa, Brasil, Colômbia do Norte e partes da África e da Ásia. Porém, o Império Sino-japonês, a Federação Méxica, Utopia e Etiópia tinham seus próprios calendários, e maioria dos países do Norte da África, Oriente Médio e Ásia Central usavam o Calendário Islâmico. A Índia usava vários calendários regionais.
O novo calendário combinou características de vários sistemas então em uso e adotou, para os nomes dos meses, os signos do zodíaco que, apesar de não serem comuns a todas as culturas, foram considerados satisfatoriamente neutros. Entretanto, em vez de se adotar as tradicionais datas astrológicas de início das estações e da vigência dos diferentes signos preferiram-se dividir o ano em meses e trimestres tão regulares quanto possíveis. Cada ano foi dividido em três trimestres de 91 dias e um trimestre de 92 dias, cada um deles dividido em três meses de 30 ou 31 dias: áries (31), touro (30), gêmeos (30), câncer (31), leão (30), virgem (30 nos anos normais e 31 nos bissextos), libra (31), escorpião (30), sagitário (30), capricórnio (31), aquário (30) e peixes (31). Por exemplo: o dia do Natal, antes 25 de dezembro, passou a se chamar seis de capricórnio.
Discutiram-se propostas de semanas de cinco, seis ou dez dias, bem como a de manter as semanas de sete dias, mas com um ou dois domingos extras por ano (31 de Peixes e, nos anos bissextos, 31 de Virgem), de forma que o calendário se tornasse de fato perpétuo: assim, o dia seis de capricórnio, por exemplo, corresponderia sempre ao mesmo dia da semana (sexta-feira, no caso). Entretanto, a idéia se chocou com a oposição dos setores conservadores das principais religiões ocidentais – Judaísmo, Cristianismo e Islamismo – que consideravam a semana de sete dias uma parte essencial de suas tradições. Para evitar atritos e confusões, preferiu-se não adotar uma semana universal oficial e deixar que cada povo determinasse seus dias de festa e descanso de acordo com suas tradições. O Calendário Universal, por isso, não possui semanas.
Quanto à numeração dos anos, decidiu-se contar como ano zero o que pelo calendário gregoriano era chamado de ano 10.001 a.C., de forma a evitar datas históricas negativas. Os anos “depois de Cristo” do antigo calendário gregoriano podiam ser convertidos ao calendário universal somando-se 10.000; os “antes de Cristo”, subtraindo-se a antiga data de 10.001. O verdadeiro ano do nascimento de Cristo, 6 a.C. pelo calendário gregoriano, tornou-se 9.995 AU (Ano Universal).
No antigo calendário gregoriano a regra para os anos bissextos era a seguinte: um ano era bissexto quando seu número é divisível por quatro, salvo se também fosse divisível por 100 e não fosse divisível por 400. Assim, o ano gregoriano 1596 foi bissexto e 1600 também, mas 1700 não.
Já no calendário universal, um ano é bissexto quando seu número for divisível por quatro, salvo se também for divisível por 128. Portanto, 11.896 AU e 11.900 AU foram bissextos, mas 11.904 AU, não. A nova regra tornou o ano do calendário um pouco mais próximo do verdadeiro valor do ano trópico natural do planeta Terra.
À medida que a nova humanidade expandiu-se por outros planetas e por outros sistemas solares, adotou outros calendários adequados às condições locais. Porém, o calendário da Terra continuou a ser usado como referência do tempo da história universal, mesmo em outros planetas. Apesar de sua origem local, o Calendário Universal da Terra e a hora de Cosmópolis passaram a ser usadas também pela organização da Solidariedade Galáctica.