quinta-feira, 10 de abril de 2008

VII Artis brasiliae ( Sétima Arte )


"uma câmara na mão e uma idea na cabeça."
Cinema Novo


A gênesis do movimento que viria ser conhecido como Cinema Novo brasileiro se deu no período de transição entre os anos 50 e 60. O Cinema Novo fez a crítica internacional descobrir que se faziam cinema no Brasil - e, um dos principais responsáveis foi Glauber Rocha, destacou-se como o genial. A conjuntura vigente era marcada pela articulação da nova ordem democrática dos anos JK aos anos Médici, onde a intensificação do processo de industrialização preenchia de otimismo o imaginário das elites que anteviam a realização do sonho do desenvolvimento econômico fruto de um pseudo milagre.



No Brasil, contudo, o cinema nacional tinha platéia minguada,primeiro por que poucos dinham o privivegio de irem ao cinema, e estes poucos que freqüentavam as salas de progeçõe não queriam ver no cinema aquilo que buscavam ignorar. havia uma incompatibilidade da maior parte de suas realizações com o que a classe média queria ver no cinema e a capacidade de assimilação desta classe média no campo do espetáculo, segundo o crítico Ely Azeredo. Como vários que participaram desse movimento, Paulo Emílio Salles Gomes, atribuiu ao Cinema Novo “tudo que se fez de melhor (...) no moderno cinema brasileiro”. Porém, Glauber Rocha mencionava que o cinema novista não atingiu a verdadeira comunicação (...)”. ainda hoje há um certo preconceito sobre o cimema nacional,o povo está reaprendendo a se ver na telona,e a classe média nacional ainda teme ver descortinada a sua realodade.



No campo cultural assistia-se a uma intensa produção ideológica vinculada à problemática do desenvolvimento e do nacionalismo que perdurou por todos os anos 50 entrando na década de 60 até as vespera do AI5 em 68. Intelectuais como Nelson Pereira dos Santos, considerado o patriarca do movimento, que antes já participava de um cinema politizado nos anos 50. Nesta época surgiu o filme Rio 40 graus . Logo em seguida Glauber, Paulo César Saraceni, Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrade, David Neves e Cacá Diegues, entre outros davam às origem primeiras “engatinhadas” do que viria a ser o Cinema Novo. Glauber rodou O Pátio e Saraceni Caminhos, curtas que são tidos como prefácios do movimento. Em seguida, Saraceni fez Arraial do Cabo, um de seus filmes mais famosos.Movivento este que foi sufocado pelos donos do poder nos anos que se seguiram apois o goupe militar de 64.



Abertos à absorção de informações da modernidade artística e da cultura urbana – industrial, o cinema encontrava um ambiente certamente favorável ao seu florescimento. No início dos anos 50 surgia a Companhia Vera Cruz, propondo-se a enfrentar o desafio de uma produção cinematográfica organizada em bases empresariais: uma tarefa difícil a ser cumprida, pois iria encontrar pela frente, um mercado inteiramente controlado por empresas estrangeiras, tão poderosas que obtinham um remessa de 70% dos lucros advindos das exibições. Para Vera Cruz tratava-se de romper o bloqueio do mercado através da realização de filmes de boa qualidade técnica, capazes de medir forças com o cinema estrangeiro, especialmente o norte-americano, que na ausência de uma produção local inscrevia-se no cotidiano do divertimento brasileiro como uma forma inteiramente familiar.



A estratégia da Vera Cruz ao procurar a medida técnica do filme norte-americano indicava uma opção a um só tempo econômica e estética. Incapaz de controlar a comercialização de seus produtos – a distribuição ficava a cargo da Columbia Pictures – e defrontando-se com as insuficiências próprias do estágio de subdesenvolvimento vivido pelo cinema brasileiro, a Vera Cruz ver-se-ia, em 1957, obrigada a fechar suas portas nessa mesma época, crescia entre os setores da juventude o interesse pelo cinema.



Em 1960, acontecia em São Paulo a I Convenção da Crítica Cinematográfica, com a presença de Paulo Emílio Salles, Orlando Senna, Plínio Aguiar, Paulo Perdigão, Carlos Diegues entre outros.



Em 1963, Glauber materializou essas idéias de brilhante em Deus e o diabo na terra do Sol – filme emblemático do movimento. Sob o inclemente sol do sertão, camponeses sem saída e cangaceiros sem limite representavam um Brasil cru e alegórico, retratado com um olhar que transbordava novidade; um misto de fotografia nua, enquadramentos e movimentos de câmera estilizados, montagem nervosa e elíptica. Em torno dessa questões surgiram polêmicas com as áreas mais rígidas do CPC que adotando a ótica da conscientização, viam no cinema de autor a possibilidade de um impedimento à comunicação imediata com o povo.



O Cinema Novo caracterizava a compreensão da linguagem como lugar de exercício do poder: a superação da alienação e da dependência haveria de passar pela desconstrução das formas culturais dominantes e do “raciocínio” ideológico por elas propostas. Levava-se o filme brasileiro a um novo patamar dentro do quadro de nossa cultura. Fixava-se a orientação desmitificadora, o manejo do cinema como forma de conhecimento, a perspectiva descolonizadora que oferecia à sociedade brasileira o espelho áspero de seu miserabilismo cultural.



O filme seguinte de Glauber Rocha, Terra em transe, de 1967, sobre um político atormentado, já seria uma discussão acerca do impasse a que chegara aquela geração, cheia de ideais revolucionários e atolada numa ditadura militar. Aquela altura estava claro para muitos observadores que o mesmo credo capaz de gerar obras-primas podia descambar para um péssimo cinema, uma forma de arte aleijada por clichês ideológicos na qual o recado do diretor ia parar com freqüência na boca de personagens. Pela invenção e pela atualidade das questões que levantava, Terra em transe iria constituir-se como ponto alto do Cinema Novo após 64.



O Cinema Novo chegou ao fim da década de 60 procurando novos caminhos. Seus melhores nomes já buscavam um meio termo entre radicalismo artístico e comunicação – e o sucesso de público e crítica do anárquico e engraçadíssimo Macunaíma (1969) de Joaquim Pedro de Andrade, foi a prova de que o movimento não tinha sido em vão.



No Brasil pós-68, abria-se um novo momento para o processo cultural e nele o grupo do Cinema Novo iria experimentar uma série de contradições e descaminhos na tentativa de reorientar sua produção no terreno ardiloso de uma conjuntura marcada pelo enrijecimento da censura política e pela acentuamento das exigências econômicas da produção cultural.