quarta-feira, 21 de abril de 2010

A cidade de Brasília completa 50 anos



Em meio à terra virgem do cerrado, na margem mais esplendorosa do Paranoá, Linda como uma exuberante mulher que luta contra o tempo. Brasília pode ser comparada com uma bela mulher como Vera Fischer por exemplo. Tuas curvas ainda continuam tão lindas quanto às curvas desta bela gaúcha. Como diz meu filho esta cidade é sinistra, um misto de sagrada e profana. Sua criação foi prevista num sonho de Dom Bosco em 1883, sonho este idealizado antes por José Bonifácio em 1823, fato que o Sato italiano desconhecia. O sonho da terra prometida tupiniquim, só vem ser realizado 73 anos depois com o presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira(JK). Ao tomar posse da presidência encaminha ao Congresso a Mensagem de Anápolis, propondo a criação da Companhia Urbanizadora da Nova Capital - NOVACAP e o nome de Brasília para a nova capital. As obras começaram neste mesmo ano. O aeroporto, o Palácio da Alvorada e a Ermida Dom Bosco, localizada exatamente no paralelo 15º. Hoje, Brasília está completando 50 anos e, por isso, ainda possui uma população relativamente jovem, muitos oriundos de outras regiões do país. Na época de sua construção, mineiros, cariocas, paulistas, nordestinos... Vinham para esta cidade para construí-la e com a esperança num futuro melhor, essas pessoas são conhecidas como "candangos". Por esta diversidade de cores, falas, paladares, culturas... Brasília não possui sotaque próprio, adotou um pouco da peculiaridade de cada região do país.. Viver nos braços desta jovem senhora é um sonho glorioso. Todo mundo fala mal dela, mas no fundo todo mundo tem adoração por ela.

Cícero

Versus Rudes

Minha Busca

Pus o meu sonho numa velha mala
e a mala num velho ônibus que se pois a rodar pelos sertões;
- depois, abri os sertões com minhas mãos,
para o meu caminho enxergar.
Minhas mãos ainda estão cheias
de poeira vermelha,
é a cor que escorre de meus dedos
e colore as estradas de minha existência.
O vento ainda bate em meu rosto,
frio e seco que chega até a partir meus lábios;
Vento que vem de longe e vai morrer nas marolas do Paranoá
meu sonho, continuava dentro de uma mala...
Cheguei na Plataforma Rodoviária,
para fazer baldeação,
e o meu ônibus chegou ao fim da sua viagem.
Mas meus sonho não desapareceu.
Não era ali naquela cidade futurista que se encontrava o meu futuro;
avenidas largar, curvas femininas,
meus olhos se enchiam de beleza
diante da genialidade da obra de Niemeyer.

Mas não era motivo suficiente para me deixar ficar no cerrado.
Cai o fim do dia
embarco em um novo ônibus na plataforma B. Em busca de velhos sonhos que trazia comigo em minha velha mala.
Eu sobrinho que sou de Candango,
não persegui os mesmos sonhos.
Como um tio-avô alagoano busquei um velho sonho Arigó
de encontrar meu futuro num porto chamado esperança.
Atravessei noites e dias
nos sertões de Goiás e Mato Grosso.
Se meus sonhos aqui encontrei,
- não sei, só sei que os busquei.
E nas sobras das três Marias me encontrei.


A poética do Cerrado, uma trajetória



Candanga, a alma leve dos cerrados,


a moça e seus cabelos, nos longes de Goiás.

Candangos nós, teus filhos de adoção.

Candangos nossos filhos, nascidos do teu chão.



A mão que te acenou de tão distante

foi quem prometeu que te faria.

Trocou o talvez por neste instante,

e a cidade assim se fez.



Candangos Vladimir, Bertran, Oscar, Sayão,

Candangos Lúcio, Vera, Nicolas, Bulcão


Candangos Teodoro, Cássia, Renato, Catalão.




Misteriosos como os campos de cerrados

de longe, apenas troncos retorcidos

de perto, segredos revelados:



água de mina, raízes, folhas, flores

beleza pura que explode por detrás

dos detalhes escondidos na aridez

da vastidão dos campos de Goiás.

Paulo José Cunha
Fonte:http://pintoandrade.multiply.com/reviews/item/9

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Cajuína




CAETANO VELOSO FALA DE CAJUÍNA

Numa excursão pelo Brasil com o show Muito, creio, no final dos anos 70, recebi, no hotel em Teresina, a visita de Dr. Eli, o pai de Torquato. Eu já o conhecia pois ele tinha vindo ao Rio umas duas vezes. Mas era a

primeira vez que eu o via depois do suicídio de Torquato. Torquato estava, de certa forma , afastado das pessoas todas. Mas eu não o via desde minha

chegada de Londres: Dedé e eu morávamos na Bahia e ele, no Rio (com temporadas em Teresina, onde descansava das internações a que se submeteu por instabilidade mental agravada, ao que se diz, pelo álcool). Eu não o vira em Londres: ele estivera na Europa mas voltara ao Brasil justo antes de minha chegada a Londres. Assim, estávamos de fato bastante afastados, embora sem ressentimentos ou hostilidades. Eu queria muito bem a ele. Discordava da atitude

agressiva que ele adotou contra o Cinema Novo na coluna que escrevia, mas nunca cheguei sequer a dizer-lhe isso. No dia em que ele se matou, eu estava

recebendo Chico Buarque em Salvador para fazermos aquele show que virou disco famoso. Torquato tinha se aproximado muito de Chico, logo antes do tropicalismo: entre 1966 e 1967. A ponto de estar mais freqüentemente com Chico do que comigo. Chico e eu recebemos a notícia quando íamos sair para o Teatro Castro Alves. Ficamos abalados e falamos sobre isso. E sobre Torquato ter estado longe e mal. Mas eu não chorei. Senti uma dureza de ânimo dentro de mim. Me senti um tanto amargo e triste mas pouco sentimental. Quando, anos depois, encontrei Dr. Eli, que sempre foi uma pessoa adorável, parecidíssimo com Torquato, e a quem Torquato amava com grande ternura, essa dureza

amarga se desfez. E eu chorei durantes horas, sem parar. Dr. Eli me consolava, carinhosamente. Levou-me à sua casa. D. Salomé, a mãe de Torquato, estava

hospitalizada. Então ficamos só ele e eu na casa. Ele não dizia quase nada. Tirou uma rosa-menina do jardim e me deu. Me mostrou as muitas fotografias de Torquato distribuídas pelas paredes da casa. Serviu cajuína para nós dois. E bebemos lentamente. Durante todo o tempo eu chorava. Diferentemente do dia da morte de Torquato, eu não estava triste nem amargo. Era um sentimento terno e bom, amoroso, dirigido a Dr. Eli e a Torquato, à vida. Mas era intenso demais e eu chorei. No dia seguinte, já na próxima cidade da excursão, escrevi Cajuína.

A letra

Cajuína

Caetano Veloso

Existirmos a que será que se destina

Pois quando tu me deste a rosa pequenina

Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina

Do menino infeliz não se nos ilumina

Tampouco turva-se a lágrima nordestina

Apenas a matéria vida era tão fina

E éramos olharmo-nos intacta retina

A cajuína cristalina em Teresina

fonte: http://oglobo.globo.com/online/blogs/moreno/post.asp?cod_post=10886

BUCHADA DE BODE UMA IGUARIA DO SERTÃO NORDESTINO



Ingredientes: 2 colher(es)(sopa) de azeite 1 xícara (chá) de vinagre Vísceras de 1 cabrito (bucho, tripas, fígado e rins) 200 gramas de toucinho fresco picado Sal e pimenta-do-reino a gosto 3 dentes de alho esmagados Sangue coagulado do cabrito 1 maço de cheiro verde picado 2 folhas de louro picadas 2 ramos de hortelã picados 4 cebolas picadas 4 limões grandes Modo de preparo: Limpar bem todos a vísceras, retirando a cartilagem e o sebo. Limpar o bucho, lavando-o várias vezes e esfregando o limão por dentro e por fora. Deixar de molho em égua fria com o suco de 1 limão por pelo menos 5 horas. Picar em tirinhas as tripas e demais vísceras. Temperar com sal, pimenta-do-reino, alho, cebola, cheiro verde, louro e hortelã. Juntar o vinagre e deixar tomar gosto. Aquecer o azeite e colocar nele o toucinho. Deixar em fogo baixo até derreter bem o toucinho, formando torresmos. Retirar os torresmos e na gordura que se formou refogar todas as vísceras. Juntar o sangue coagulado já picado e retirar do fogo. Retirar o bucho do molho de limão, aferventar inteiro e jogue fora a água. Colocar o refogado de vísceras juntamente com os torresmos no interior do bucho e costurar com agulha e linha. Levar ao fogo uma panela com bastante água e sal e deixar ferver. Colocar nela o bucho e deixar cozinhar em fogo brando durante no mínimo 4 horas. Vá juntando mais água fervente à medida que for necessário. Servir com molho de pimenta forte e farinha de mandioca crua.