sexta-feira, 16 de abril de 2010

França está confiante na compra dos Rafale pelo Brasil


Lula e Sarkozy se encontraram em Washigton, durante a Cúpula de Segurança Nuclear.
Agência Brasil
Adriana Brandão

O ministro da Defesa Hervé Morin, afirmou nesta quarta-feira que confia que o Brasil optará pelos caças franceses. A declaração acontece no dia seguinte do encontro entre os presidentes Lula e Nicolas Sarkozy às margens da Cúpula de Segurança Nuclear, em Washington, que abordaram as negociações para a compra dos aviões pela FAB.

O presidente francês Nicolas Sarkozy se encontrou com o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, na terça feira. Eles aproveitaram a Cúpula de Segurança Nuclear, em Washington, para um encontro bilateral. Um dos temas principais abordados pelos dois líderes foi a licitação de aviões de caça para modernizar a frota da Força Aérea Brasileira.

A França é um dos principais concorrentes com o Rafale, fabricado pelo grupo Dassault. Ele concorre com o Super Hornet F/A-18, da americana Boeing, e com o Gripen NG, da sueca Saab.

Após o encontro, Sarkozy se disse confiante. "Os brasileiros vão anunciar sua escolha, mas as coisas avançam exatamente como previsto. Estamos perfeitamente alinhados com o que havia sido dito há um ano", declarou Sarkozy. Durante a viagem do presidente francês ao Brasil em setembro de 2009, foi anunciada pela primeira vez a preferência do governo brasileiro pelos Rafale.

O ministro da Defesa da França, Hervé Morin, reafirmou a confiança do país no negócio em entrevista a rádio France Info. Ele disse que acredita na compra dos Rafale por causa da aliança estratégia entre os dois países e lembrou que nos últimos meses o governo brasileiro já adquiriu submarinos e helicópteros militares franceses.

Na semana passada, o ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim, voltou a afirmar que a FAB recomenda ao presidente Lula a compra do Rafale, apesar do caça francês ser mais caro que o dos concorrentes. As forças aéreas brasileiras devem comprar 36 aviões de combate para modernizar sua frota. A decisão final do Brasil deve ser anunciada em maio.

http://www.portugues.rfi.fr/franca/20100414-franca-esta-confiante-na-compra-dos-rafale-pelo-brasil

sábado, 10 de abril de 2010

Camĭnis

Linda Barbalha


Alcymar Monteiro


" Seus olhos verdes são lindos canaviais.
Os seus cabelos são pendões de coqueirais.
As Chaminés dos seus engenhos são reais.
O seu perfume é gostoso demais.
Cheiro de mel que o vento tráz.
Cheiro de mel que o vento tráz.


Cana Kaiana lá do vale da colina,
É triturada na moenda da usina.
Como o pulsar do teu coração menina,
De corpo nú cada vez sempre mais linda.
Desse riacho quero beber!
Nas suas curvas vou me perder!
Nas suas curvas vou me perder!


êêêê...


Menina moça linda Barbalha!
Lábios de açucar beijos de mel!
Agua corrente cristalino véu!
Caldas do tempo pedaço do céu!
Caldas do tempo pedaço do céu!


Clarão de lua, orvalho e neblina!
Fruto da terra, fulôr divina.
De renda ou chita você me fascina!
Fonte da vida mãe da minha sina.
Fonte da vida mãe da minha sina.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O último discurso



O Último Discurso
O Grande Ditador

Charles Chaplin

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar - se possível - judeus, o gentio ... negros ... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem ... levantou no mundo as muralhas do ódio ... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, emperdenidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-se muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem ... um apelo à fraternidade universal ... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora ... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas ... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!" A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia ... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem os homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais ... que vos desprezam ... que vos escravizam ... que arregimentam as vossas vidas ... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar ... os que não se fazem amar e os inumanos.

Soldados! Não batalheis pela escravidão! lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Estás em vós! Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela ... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo ... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergues os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

Reflexão



“O uso correto da razão, é o fundamento da solidariedade humana”

São Tomás de Aquino

Camĭnis

Solidariedade

Sou sentimento moral de força

de vinculo, sou relação de responsabilidade

Sou compromisso mútuo que une, agrega

Sou doação, sou integração.

Sou a dependência vestida de reciprocidade

Sou o laço forte que vincula a amorosidade

Sou compromisso devotado com o próximo

Sou a grandeza da generosidade

Sou bandeira de luta em razão da necessidade

Sou conforto, sou alento

Sou o mais requintado fino sentimento

Não consigo penetrar a frieza, o egoísmo, o calculismo

Mas no mundo sou a virtude, em maioria personificada

Sou a prática do bem, bens espirituais, matérias, e temporais

Sou a melhor condição social

Minha maior importância...

Sem dúvidas, força de amor fraternal, ser à dependência da paz mundial.

de Miríade Lufague Lima http://lufaguefreitas.blogspot.com/2009_01_01_archive.html

Cordel

O professor sempre está errado

Dizem que o professor
Sempre, sempre está errado
Quando ele é muito jovem
É bastante criticado
Falta-lhe a experiência
Por muitos é desprezado.

Quando ele está velho
Já ficou ultrapassado
Quando não tem automóvel
É chamado de coitado
Quando tem, “barriga cheia”
Pelos outros é tachado.

Se ele fala em voz alta
É porque vive gritando
Se fala em tom normal
Ninguém tá o escutando
E essa bela profissão
Se transforma em desengano.

Se não falta ao colégio
De “Caxias” é chamado
Quando precisa faltar
De “turista” é nomeado
Na vida, o professor
Sempre é observado.

Quando ele está conversando
Com os outros professores
Está “malhando” o aluno
É um dos seus traidores
Não conversa, é desligado
Orgulhoso, sem valores.

Se ele dá muita matéria
Não tem dó do estudante
Quando dá pouca matéria
Não prepara, é um farsante
E a vida do professor
Fica bastante estressante.

Quando brinca com a turma
É metido a engraçado
Se não brinca é ruim
É cara-de-pau, é chato
Por isso, o professor
Sempre, sempre, está errado.

Se ele chama à atenção
É ignorante ou grosso
Não chama à atenção
Não se impõe, tem medo, é frouxo
E a vida do professor
Torna-se um grande alvoroço.

Se faz uma prova longa
Não dá tempo responder
Se a prova é muito curta
Tira as chances de aprender
E a cabeça do educando
Ninguém consegue entender.

Quando ele escreve muito
A matéria não explica
Se explica muito, o aluno
Não escreve, não pratica
O caderno não tem nada
Alguém logo o critica.

Falando corretamente
Ninguém lhe entende nada
Fala a língua do aluno
Sua fala é rejeitada
Pois não tem vocabulário
Sua aula é desprezada.

Quando faz um elogio
Está sendo debochado
Se não elogia é rude
Descortês ou desastrado
Quando exige é birrento
Teimoso, mal-humorado.

Para o pai do seu aluno
Quando o filho é aprovado
É gênio, é competente
Seu valor é declamado
Mas se não passar de ano
O professor é culpado.

O aluno é reprovado
Foi uma perseguição
O aluno é aprovado
“Deu mole” é um bobão
E assim o professor
Segue a sua profissão.

Desse jeito o professor
Está sempre, sempre errado
Mas se você conseguiu
Lê o que aqui foi contado
Agradeça a seu mestre
Ele deve ser honrado.

Ser professor é paixão
Amor e dedicação
É ser do aluno um pai
Um amigo, um irmão
Se você é professor
Parabéns, pela missão.


de Carlos Soares da Silva
Cupira - PE - por correio eletrônico

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Assédio Moral



O que é assédio moral?

Assédio moral ou violência moral no trabalho não é um fenômeno novo. Pode-se dizer que ele é tão antigo quanto o trabalho.

A novidade reside na intensificação, gravidade, amplitude e banalização do fenômeno e na abordagem que tenta estabelecer o nexo-causal com a organização do trabalho e tratá-lo como não inerente ao trabalho. A reflexão e o debate sobre o tema são recentes no Brasil, tendo ganhado força após a divulgação da pesquisa brasileira realizada por Dra. Margarida Barreto. Tema da sua dissertação de Mestrado em Psicologia Social, foi defendida em 22 de maio de 2000 na PUC/ SP, sob o título "Uma jornada de humilhações".

A primeira matéria sobre a pesquisa brasileira saiu na Folha de São Paulo, no dia 25 de novembro de 2000, na coluna de Mônica Bérgamo. Desde então o tema tem tido presença constante nos jornais, revistas, rádio e televisão, em todo país. O assunto vem sendo discutido amplamente pela sociedade, em particular no movimento sindical e no âmbito do legislativo.

Em agosto do mesmo ano, foi publicado no Brasil o livro de Marie France Hirigoyen "Harcèlement Moral: la violence perverse au quotidien". O livro foi traduzido pela Editora Bertrand Brasil, com o título Assédio moral: a violência perversa no cotidiano.

Atualmente existem mais de 80 projetos de lei em diferentes municípios do país. Vários projetos já foram aprovados e, entre eles, destacamos: São Paulo, Natal, Guarulhos, Iracemápolis, Bauru, Jaboticabal, Cascavel, Sidrolândia, Reserva do Iguaçu, Guararema, Campinas, entre outros. No âmbito estadual, o Rio de Janeiro, que, desde maio de 2002, condena esta prática. Existem projetos em tramitação nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Paraná, Bahia, entre outros. No âmbito federal, há propostas de alteração do Código Penal e outros projetos de lei.

O que é humilhação?

Conceito: É um sentimento de ser ofendido/a, menosprezado/a, rebaixado/a, inferiorizado/a, submetido/a, vexado/a, constrangido/a e ultrajado/a pelo outro/a. É sentir-se um ninguém, sem valor, inútil. Magoado/a, revoltado/a, perturbado/a, mortificado/a, traído/a, envergonhado/a, indignado/a e com raiva. A humilhação causa dor, tristeza e sofrimento.

E o que é assédio moral no trabalho?

É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras,repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do emprego.

Caracteriza-se pela degradação deliberada das condições de trabalho em que prevalecem atitudes e condutas negativas dos chefes em relação a seus subordinados, constituindo uma experiência subjetiva que acarreta prejuízos práticos e emocionais para o trabalhador e a organização. A vítima escolhida é isolada do grupo sem explicações, passando a ser hostilizada, ridicularizada, inferiorizada, culpabilizada e desacreditada diante dos pares. Estes, por medo do desemprego e a vergonha de serem também humilhados associado ao estímulo constante à competitividade, rompem os laços afetivos com a vítima e, freqüentemente, reproduzem e reatualizam ações e atos do agressor no ambiente de trabalho, instaurando o ’pacto da tolerância e do silêncio’ no coletivo, enquanto a vitima vai gradativamente se desestabilizando e fragilizando, ’perdendo’ sua auto-estima.

Em resumo: um ato isolado de humilhação não é assédio moral. Este, pressupõe:

  1. repetição sistemática
  2. intencionalidade (forçar o outro a abrir mão do emprego)
  3. direcionalidade (uma pessoa do grupo é escolhida como bode expiatório)
  4. temporalidade (durante a jornada, por dias e meses)
  5. degradação deliberada das condições de trabalho

Entretanto, quer seja um ato ou a repetição deste ato, devemos combater firmemente por constituir uma violência psicológica, causando danos à saúde física e mental, não somente daquele que é excluído, mas de todo o coletivo que testemunha esses atos.

O desabrochar do individualismo reafirma o perfil do ’novo’ trabalhador: ’autônomo, flexível’, capaz, competitivo, criativo, agressivo, qualificado e empregável. Estas habilidades o qualificam para a demanda do mercado que procura a excelência e saúde perfeita. Estar ’apto’ significa responsabilizar os trabalhadores pela formação/qualificação e culpabilizá-los pelo desemprego, aumento da pobreza urbana e miséria, desfocando a realidade e impondo aos trabalhadores um sofrimento perverso.

A humilhação repetitiva e de longa duração interfere na vida do trabalhador e trabalhadora de modo direto, comprometendo sua identidade, dignidade e relações afetivas e sociais, ocasionando graves danos à saúde física e mental*, que podem evoluir para a incapacidade laborativa, desemprego ou mesmo a morte, constituindo um risco invisível, porém concreto, nas relações e condições de trabalho.

A violência moral no trabalho constitui um fenômeno internacional segundo levantamento recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) com diversos paises desenvolvidos. A pesquisa aponta para distúrbios da saúde mental relacionado com as condições de trabalho em países como Finlândia, Alemanha, Reino Unido, Polônia e Estados Unidos. As perspectivas são sombrias para as duas próximas décadas, pois segundo a OIT e Organização Mundial da Saúde, estas serão as décadas do ’mal estar na globalização", onde predominará depressões, angustias e outros danos psíquicos, relacionados com as novas políticas de gestão na organização de trabalho e que estão vinculadas as políticas neoliberais.

(*) ver texto da OIT sobre o assunto no link:http://www.ilo.org/public/spanish/bureau/inf/pr/2000/37.htm

Fonte: BARRETO, M. Uma jornada de humilhações. São Paulo: Fapesp; PUC, 2000.