sábado, 3 de abril de 2010

Páscoa

Por José Luiz C. Duarte

A festa da Páscoa

Para entendermos a Páscoa cristã, vamos, sinteticamente, buscar sua origem na festa judaica de mesmo nome. O ritual da Páscoa judaica é apresentado no livro do Êxodo (Ex 12.1-28). Por essa festa, a mais importante do calendário judaico, o povo celebra o fato histórico de sua libertação da escravidão do Egito acontecido há 3.275 anos, cujo protagonista principal desse evento foi Moisés no comando de seu povo pelo mar vermelho e deserto do Sinai.

O evento ÊXODO/SINAI compreende a libertação do Egito, a caminhada pelo deserto e a aliança no monte Sinai (sintetizado nos dez mandamentos dado a Moisés). De evento histórico se torna evento de fé. A passagem do mar vermelho foi lembrada como Páscoa e ficou como um marco na história do povo hebreu. Nos anos seguintes ela sempre foi comemorada com um rito todo particular.

Todo ano, na noite de lua cheia de primavera, os hebreus celebravam a Páscoa, com o sacrifício de cordeiro e o uso dos pães ázimos (sem fermentos), conforme a ordem recebida por Moisés (Ex 12.21.26-27; Dt 12.42). Era uma vigília para lembrar a saída do Egito (forma pela qual tal fato era passado de geração em geração – Ex 12.42; 13.2-8).

Essa celebração ganhou também dimensão futura com o passar do tempo. E quando novamente dominados por estrangeiros, celebravam a Páscoa lembrando o passado, mas pensando no futuro, com esperança de uma nova libertação, última e definitiva, quando toda escravidão seria vencida, e haveria o começo de um mundo novo há muito tempo prometido.

A celebração da Páscoa reunia três realidades distintas:

    • uma realidade do passado: o acontecimento histórico da libertação do Egito quando Israel tornou-se o povo de Deus;

    • uma realidade do presente: a memória ritual (=celebração) do fato passado levava o israelita a ter consciência de ser um ‘libertado’ de Javé (=Deus), não somente os antepassados, mas o sujeito de hoje (Dt 5.4);

    • uma realidade futura: a libertação do Egito era símbolo de uma futura e definitiva libertação do povo de toda a escravidão. Libertação esta que seria a nova Páscoa, marcando o fim de uma situação de pecado e o começo de uma nova era.

Jesus oferecendo seu corpo e sangue assume o duplo sentido da páscoa judaica: sentido de libertação e de aliança. E ao celebrar a Páscoa (Mt 26,1-2.17-20), Ele institui a NOVA PÁSCOA, a Páscoa da libertação total do mal, do pecado e da morte numa aliança de amor de Deus com a humanidade.

A nova Páscoa não era uma libertação política do poder dos romanos, como os judeus esperavam. Poucos entenderam que o Reino de Deus transcende o aspecto político, histórico e geográfico.

Hoje, ao celebrarmos a Páscoa, não o fazemos com sacrifício do cordeiro e alimentando-nos com pães sem fermento, pois Cristo se deu em sacrifício uma vez por todas (Jo 1.29; 1Cor 5.7; Ef 5.2; Hb 5.9), como cordeiro pascal, como prova e para nos libertar de tudo aquilo que nos oprime.

O fanatismo religioso entre atletas é algo surreal



Pelo que carrega de bizarro e inadmissível, o episódio do dia 2 de abril de 2010 que foram protagonistas alguns atletas do Santos ao se recusarem entra no Lar Espírita Mensageiros da Luz na tarde da última quinta-feira, apenas parte do elenco entrou e entregou ovos de páscoa às crianças do referida instituição de caridade que abriga crianças com câncer. Mas alguns jogadores, como Robinho, Neymar e Paulo Henrique preferiram não descer do ônibus. O camisa 7 aponta a religião como responsável pela atitude de alguns não terem entrado na casa de caridade e o parafrênico Robinho apontou motivos religiosos como responsável pela atitude desumana, preconceituosa, fanática e bestial dos pretensos “atletas de Cristo”, e diz não estar arrependido. Mas eu vós pergunto será que Jesus não entraria em tal lugar sabendo que lá viviam suas criancinhas? Atitudes como esta dos jogadores santistas desfralda no país os perigos do irracional, da intolerância religiosa entre a coletividade que se diz evangélica. Este fato revela os limites entre a razão e a psicose de alguns seguidores do neo-pentecostalismo. A atitude de Robinho ao dizer que não se arrepede do seu ato insano sugere que seu ato surgiu de uma estrutura psicótica. O fato do sujeito se ver como o único que está no lugar de certeza absoluta, o dono da verdade. Já é um indicador de fanatismo e sectarismo. Um kardecista não é melhor nem pior do que um pentecostal, nem nenhum pentecostal é melhor do que um umbandista, nem nenhum cristão é melhor do que um muçulmano,... todos os fieis de todas as religiões são apenas diferentes, ninguém é dono da verdade. Cada um tem sua verdade. “De algo sempre haveremos de morrer, mas já se perdeu a conta aos seres humanos mortos das piores maneiras que seres humanos foram capazes de inventar. Uma delas, a mais criminosa, a mais absurda, a que mais ofende a simples razão, é aquela que, desde o princípio dos tempos e das civilizações, tem mandado matar em nome de Deus”. (José Saramago) Não deixa de ser curioso o fato de a intolerância e a violência fazer parte da história das grandes religiões monoteístas, ao longo da história, percebemos momentos de pacífica convivência intra e inter-religiosa, intercalados com momentos de grande violência. O ápice desta intolerância no Cristianismo se dar na Idade Média quando os judeus passaram a ser perseguidos incansavelmente pela Inquisição, sendo obrigados a abjurarem de sua fé ou pagarem com a própria vida por professarem outra crença. Todavia esta intolerância não se dá apenas entre membros de uma religião contra outra, sendo que muitas vezes acontecem as maiores atrocidades entre membros de um mesmo grupo religioso, sendo as guerras entre cristãos uma constante na história (Católicos, Protestantes, Anglicanos,...). Devemos ter repulsa e combater atitudes como esta do Robinho, Neymar, Paulo Henrique,...etc. Devemos mostrar que queremos e podemos construir uma sociedade melhor, um país melhor para nós e as futuras gerações, em que a liberdade de expressão e culto sejam respeitadas, colocando a vida e a dignidade humana como valores fundamentais acima de tudo, e preservados por todos em todos os lugares.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Re-Ligare: O lava-pés



O Lava-Pés significa a humildade de Cristo. Mostra não apenas um ato de purificação, mas um exemplo e uma ordem de Jesus que deveríamos seguir todos os dias em nossa vida. Não somente na quinta-feira Santa. Este ritual não representa somente a purificação dos pés, mas de todo o ser, todo o nosso coração. Reconciliação com Deus, com o nosso próximo e conosco mesmo - união - não somos mais do que ninguém. O maior é aquele que serve o menor, nascemos para servir e não para sermos servidos, o rei deveria servir o súdito, O Estado deveria existir em função dos cidadãos, os homens públicos da política nacional deveriam se conscientizar que são servidores do povo... Os empresários deveriam ter espírito social e humanitário. O lava-pés nos convida todos a servir ao próximo...

Cicĕro

sábado, 27 de março de 2010

Saudade



Hoje dia 27 de marco de 2010 Renato Manfredini Júnior, mais conhecido como Renato Russo Caminho, Se não tivesse partido em 11 de outubro de 1996, estaria completando siquenta anos de idadede. Seu aniversário não passará em branco para os inúmeros fãs do eterno líder do Legião Urbana. Já chegou nas livrarias, o livro “Como se não houvesse amanhã”. Organizado pelo escritor Henrique Rodrigues, o livro traz 20 histórias inspiradas em músicas da Legião Urbana, como "Tempo perdido" e "Eduardo e Mônica", cada uma escrita por um autor diferente.O início da trajetória de renato Russo também será o tema do filme "Somos tão jovens", de Antônio Carlos Fontoura, que começa a ser rodado em Brasília, no segundo semestre.E até um novo álbum com alguns duetos será lançado. E alguns especiais de TV estão programados para este sábado. A MTV reprisa o "Acústico MTV Legião Urbana" e a entrevista feita por Zeca Camargo com Renato Russo, em 1993. Na TV Globo, o programa "Altas Horas", apresentado por Serginho Groisman, receberá hoje Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, ex-companheiros de Renato na Legião, para falar sobre Renato Russo e tocar sucessos da banda Legião Urbana. Junto com Dado e Marcelo participarão os músicos Rogerio Flausino, Dinho Ouro-Preto, André Gonzáles, Fernando Catatau e Toni Platão. Está é a prova que Renato Russo continua vivo na memoria de seus milhares de fãs por todo o país.

Camĭnis

Bom papo
onde servia-se
deveras uma boa Cariri com K
em um copo de pinga
grosso para poder lograr
a boa fé do freguês.

Com tudo
era ali que nos reuníamos
a confraria dos aluados
rompendo as cancelas da realidade
entre versos, rimas e lamentos
numa esquina esquecida no tempo
situada num cantinho do Crato
era ali que destilávamos sonhos.

Cicĕro

sexta-feira, 26 de março de 2010

Camĭnis









Poema do Menino Jesus
Num meio-dia de fim de Primavera                                                  Tive um sonho como uma fotografia.                                                  Vi Jesus Cristo descer à terra.                                                   Veio pela encosta de um monte                                                  Tornado outra vez menino,                                                            A correr e a rolar-se pela erva                                                      E a arrancar flores para as deitar fora                                              E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.                                                               Era nosso demais para fingir                                                        De segunda pessoa da Trindade.                                                      No céu tudo era falso, tudo em desacordo                                           Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério E de vez em quando de se tornar outra vez homem E subir para a cruz, e estar sempre a morrer                                       com uma coroa toda à roda de espinhos                                                E os pés espetados por um prego com cabeça,                                          E até com um trapo à roda da cintura                                              Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe                                               Como as outras crianças.                                       O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro, E que não era pai dele; E o outro pai era uma pomba estúpida, A única pomba feia do mundo Porque nem era do mundo nem era pomba. E a sua mãe não tinha amado antes de o ter. Não era mulher: era uma mala Em que ele tinha vindo do céu. E queriam que ele, que só nascera da mãe, E que nunca tivera pai para amar com respeito,                                    Pregasse a bondade e a justiça! 
Um dia que Deus estava a dormir E o Espírito Santo andava a voar, Ele foi à caixa dos milagres e roubou três. Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido. Com o segundo criou-se eternamente humano e menino. Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz E deixou-o pregado na cruz que há no céu E serve de modelo às outras. Depois fugiu para o Sol                                                              E desceu no primeiro raio que apanhou. 
Hoje vive na minha aldeia comigo. É uma criança bonita de riso e natural. Limpa o nariz ao braço direito, Chapinha nas poças de água, Colhe as flores e gosta delas e esquece-as. Atira pedras aos burros, Rouba a fruta dos pomares E foge a chorar e a gritar dos cães. E, porque sabe que elas não gostam E que toda a gente acha graça, Corre atrás das raparigas Que vão em ranchos pelas estradas Com as bilhas às cabeças                                                             E levanta-lhes as saias. 
A mim ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas Quando a gente as tem na mão                                                         E olha devagar para elas. 
Diz-me muito mal de Deus. Diz que ele é um velho estúpido e doente, Sempre a escarrar para o chão E a dizer indecências. A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia. E o Espírito Santo coça-se com o bico E empoleira-se nas cadeiras e suja-as. Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica. Diz-me que Deus não percebe nada Das coisas que criou - "Se é que ele as criou, do que duvido." - "Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória, Mas os seres não cantam nada. Se cantassem seriam cantores. Os seres existem e mais nada, E por isso se chamam seres." E depois, cansado de dizer mal de Deus, O Menino Jesus adormece nos meus braços                                              E eu levo-o ao colo para casa. 
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Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro. Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava. Ele é o humano que é natural. Ele é o divino que sorri e que brinca. E por isso é que eu sei com toda a certeza                                         Que ele é o Menino Jesus verdadeiro. 
E a criança tão humana que é divina É esta minha quotidiana vida de poeta, E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre. E que o meu mínimo olhar Me enche de sensação, E o mais pequeno som, seja do que for,                                          Parece falar comigo. 
A Criança Nova que habita onde vivo Dá-me uma mão a mim E outra a tudo que existe E assim vamos os três pelo caminho que houver, Saltando e cantando e rindo E gozando o nosso segredo comum Que é saber por toda a parte Que não há mistério no mundo                                                         E que tudo vale a pena. 
A Criança Eterna acompanha-me sempre. A direcção do meu olhar é o seu dedo apontado. O meu ouvido atento alegremente a todos os sons                                    São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas. 
Damo-nos tão bem um com o outro Na companhia de tudo Que nunca pensamos um no outro, Mas vivemos juntos e dois Com um acordo íntimo                                                                 Como a mão direita e a esquerda. 
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas No degrau da porta de casa, Graves como convém a um deus e a um poeta, E como se cada pedra Fosse todo o universo E fosse por isso um grande perigo para ela                                      Deixá-la cair no chão. 
Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens E ele sorri porque tudo é incrível. Ri dos reis e dos que não são reis, E tem pena de ouvir falar das guerras, E dos comércios, e dos navios Que ficam fumo no ar dos altos mares. Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade Que uma flor tem ao florescer E que anda com a luz do Sol A variar os montes e os vales                                                        E a fazer doer aos olhos dos muros caiados. 
Depois ele adormece e eu deito-o. Levo-o ao colo para dentro de casa E deito-o, despindo-o lentamente E como seguindo um ritual muito limpo                                                E todo materno até ele estar nu. 
Ele dorme dentro da minha alma E às vezes acorda de noite E brinca com os meus sonhos. Vira uns de pernas para o ar, Põe uns em cima dos outros E bate palmas sozinho                                                         Sorrindo para o meu sono. 
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Quando eu morrer, filhinho, Seja eu a criança, o mais pequeno. Pega-me tu ao colo E leva-me para dentro da tua casa. Despe o meu ser cansado e humano E deita-me na tua cama. E conta-me histórias, caso eu acorde, Para eu tornar a adormecer. E dá-me sonhos teus para eu brincar Até que nasça qualquer dia                                                         Que tu sabes qual é. 
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Esta é a história do meu Menino Jesus. Por que razão que se perceba Não há-de ser ela mais verdadeira Que tudo quanto os filósofos pensam                                                  E tudo quanto as religiões ensinam ? 
         
 Alberto Caeiro 

Camĭnis

PERDIDOS...

Almas peregrinas sem direção
A penumbra as encobre
A clareira longínqua , um oásis
Passos lentos seguem abismados
O fim se aproxima
Eterno recomeço
Mudança , lei maior da vida
Resistir , um retrocesso
Olhos sem brilho me confrontam
Esperam uma saída
Perdido
Assim que me sinto
Busco a luz
A escuridão tomou conta de mim
Junto-me a eles
Lágrimas escorrem
Molham o corpo
Alívio momentâneo , repetitivo...
O peito se comprime
A dor cortante provoca um grito
Por quê ?
Por quê ?
Por quê ?
Respostas não chegam
Angústia e desespero fazem-me companhia
Esperança , mãe salvadora
Venha
Olhe por nós
Em súplicas desejo redenção
Almas sedentas a procura do Paraíso
Ilusão ?
Por ela vivo
Sem ao menos saber por que
A voz se perde no Espaço
Não encontra eco
Será ?

Léo Vincey